O objetivo é produzir um modulo de formação que pode, através da sua pedagogia, colocar os professores ou cuidadores em situações de empatia e reflexão. Isto é, estas duas dimensões devem ser incluídas na construção do curso educativo dos módulos e na implementação do trabalho dos professores. O próprio formador deve ter uma atitude empática, deve organizar situações de trabalho onde pode imaginar coisas a partir do ponto de vista do outro.
Empatia: esta capacidade de compreender o outro e entrar em contacto com ele é uma competência que o professor deve desenvolver. É normalmente vista como um conhecimento inato dos indivíduos, considerando a empatia como conhecimento pode ser visto pelos professores de um modo desestabilizador como uma dimensão a ser explorada na transmissão de conhecimento.
A interação entre o professor e o aluno afeta os resultados académicos mais do que a ferramentas de ensino ou o tamanho da turma. Porquê? Porque tem um papel decisivo nos mecanismos que levam a criança a confiar nas suas capacidades e a estabelecer objetivos.
O nosso objetivo é permitir ao aluno compreender sem julgar porque é que o outro está a agir de uma forma diferente da sua na mesma situação. É uma questão de avaliar o outro não pelos parâmetros da sua visão do mundo, mas pelos do outro, ou pelo menos pelo conhecimento do facto de que a sua visão do mundo pode ser diferente.
Devemos nas nossas contribuições não procurar formar cientistas mas sim investigadores no sentido literal do termo (uma pessoa que investiga, que questiona). As noções de dúvida e de preocupação são essenciais para apoiar o nosso processo de ensinar, devem ser, na minha opinião, o pivot do módulo de formação. Adoptar uma posição dogmática de “pessoa conhecedora” reforça a posição do aprendente baseada na crítica negativa.
“Eu sei, o outro não sabe”. Assim, devemos ser capazes de promover tempos de trabalho em todos os módulos onde os formandos podem confrontar estas noções de dúvida, empatia, reflexão. Como já disse, é possível que o próprio formador se sinta confortável nesta dimensão e que não se coloque como uma pessoa dogmática conhecedora.
A reflexão é o mecanismo através do qual o sujeito se torna o seu próprio objeto de análise e conhecimento. Esta postura envolve analisar criticamente a sua própria prática e as repercussões da sua própria postura na relação com o outro.
Deste modo, o sujeito toma a sua ação, o seu funcionamento mental como objetos de análise e tenta perceber a sua forma de agir. Este pensamento reflexivo é crítico e criativo e exige a mobilização de várias capacidades metacognitivas e argumentativas (Pallascio e Lafortune, 2000). Envolve um processo duplo descrito por Schön (1994): reflexão em ação que permite que um sujeito analise o que aconteceu e avalie os efeitos desta ação.
Para Philippe Perrenaud pensar significa duvidar e duvidar significa fazer perguntas. Se fecharmos esta possibilidade de desestabilizar a pessoa conhecedora no seu conhecimento, acabamos como Perrenaud especifica por “já não pensarmos naquilo que não temos o direito de dizer”.
Consequentemente, nós precisamos de pensar não só no conteúdo mas também na abordagem educativa que usaremos muito a reflexão neste modo de transmissão. As atividades com o objetivo da reflexão terão que ocupar um espaço e tempo identificados por todos: será uma questão de planear essas fases, de construi-las de modo a estar preparado para elas.
De acordo com Chaubet (2010, p.70), uma formação reflexiva deve ser desenvolvida em relação com vários elementos:
O exercício do pensamento reflexivo deve ser estimulado por todos os futuros professores, porque embora ele exista à priori em todos os indivíduos, está presente diferentemente.
O objetivo da formação é desenvolver “o hábito, e de preferência o gosto, de recorrer a ela (reflexão) de forma espontânea.
O objetivo da formação é permitir ao individuo alcançar uma “visão mais completa, mais contrastante, mais eco-sistémica” de uma situação problemática.
A formação pretende adaptar o individuo ao ambiente. Esta adaptação pode ser de dois tipos: passiva, no caso de “ uma adaptação ao ambiente”, ativa no caso de uma “ ação de transformação no ambiente”.
Proponho que usem técnicas que permitam que cada módulo implemente uma pedagogia reflexiva.
A técnica de modulação: o aprendente em contacto com a reflexão de instrutor desenvolve a sua própria capacidade de reflexão. Nesta perspetiva, o professor é considerado como um interveniente ativo da aprendizagem e da sua ação, e a participação de uma terceira parte é necessária só porque “a realidade experienciada pelo ator é normalmente opaca para si próprio mas pode tornar-se mais inteligível com a mediação de um olhar externo” (Donnay & Charlier, 2006, 131)
O caso de estudo: começa com uma situação real e concreta, de acordo com o público pode ser escrita ou oral. O trabalho é feito explicando o progresso de uma situação normal ou baseado num incidente, um problema encontrado perante outros aprendentes e ouvindo as hipóteses de resolução dos participantes. O formador não apresenta uma solução, evita valorizar julgamentos e instala um clima de segurança de não-julgamento.
Reflexão partilhada: faz-se usando um meio (DVD, por exemplo) onde se vê um curso, o objetivo é acionar a reflexão entre os conceitos de cognição e o papel da situação na aprendizagem (contexto, apoios da ação e conhecimento).
Jean-Claude Arevalo: coordonateur du projet Erasmus+" Cap sur l'Ecole Inclusive en Europe " Directeur des services APAJH/Lot